Política

Câmara quer instituir o ano nacional Roberto Marinho

03/12/2003 00:00

Brasília - Para homenagear Roberto Marinho, megaempresário dono das Organizações Globo que faleceu em 7 de agosto deste ano, o deputado Marcelo Ortiz (PV-SP) elaborou um projeto de lei (PL 1650/03) que institui 2004 como ano nacional Roberto Marinho. A proposta, em tramitação no Congresso Nacional, prevê a realização de atividades comemorativas a serem executadas pelo Ministério da Cultura e a emissão de um selo comemorativo pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Em 2004, Roberto Marinho completaria 100 anos.
Na justificação que acompanha o projeto de lei, Ortiz apresenta os nobres motivos de sua iniciativa: “Roberto Marinho foi o grande jornalista do Brasil, poucas vezes na história deste país um cidadão conseguiu ser ao mesmo tempo partícipe e testemunha ocular da história. Sua obra é, toda ela, uma declaração, sem par, de amor pelo povo brasileiro”. Para concluir, em tom laudatório: “Por isto, nada mais justo que o mesmo povo brasileiro retribua, declarando 2004, quando Roberto Marinho completaria 100 anos, como ‘Ano Roberto Marinho’”.
O texto foi aprovado na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), no começo de novembro, com apenas um voto contra: o da deputada Luiza Erundina (PSB-SP). “Reconheço que Roberto Marinho foi uma pessoa que contribuiu para o país. Foi um grande empresário. Agora, entre isso, e imaginar que ele possa se transformar num emblema, num símbolo, a ponto de se dedicar um ano a sua memória, acho que é um pouco de exagero”, comentou. “Confesso que fiquei surpresa com a aprovação praticamente unânime dessa proposta.”
Agora, o PL 1650/03 está na Comissão de Educação e Cultura. Para ir a votação, depende de um parecer favorável do relator, o deputado Deley (PV-RJ). Em entrevista à Agência Carta Maior, ele adiantou sua posição. “A história já vem de outra comissão. Não vou ser eu que vou impedir que ela seja votada”, afirmou. “Existem aqueles que são contrários, mas ninguém pode negar o trabalho que ele fez. É um brasileiro que conseguiu montar a 4ª maior televisão do mundo. Isso não é pouca coisa”. O deputado, por sua vez, pretende evitar que a homenagem envolva recursos do Ministério da Cultura (MinC).
Segundo parecer técnico do Ministério da Fazenda, divulgado em janeiro deste ano, as Organizações Globo faturaram, em 2001, R$ 5,1 bilhões no Brasil e outros R$ 5,1 bilhões no exterior. Somente a fortuna pessoal de Roberto Marinho, calculada em US$ 1 bilhão, a qual lhe garantia posto no ranking Forbes dos homens mais ricos do mundo, é cinco vezes maior que o orçamento do Ministério da Cultura previsto para 2004 – R$ 220 milhões. “É um absurdo imaginar isso”, comentou Erundina. “Ainda mais se essa homenagem implicar em custos para o ministério.”
Para Deley, a criação de um selo já seria uma grande homenagem a Roberto Marinho. O problema é que o deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), relator da matéria na CCTCI suprimiu o artigo 3º, justamente o que versava sobre a criação do selo. Em sua complementação de voto, Moreira Franco explica a supressão: “entendemos ser oportuno que o autor encaminhe ao Ministério das Comunicações indicação sugerindo a emissão do selo comemorativo em homenagem ao centenário do senhor Roberto Marinho”. Sendo assim, se o artigo que envolve o MinC nas comemorações também for suprimido – como quer Deley – o PL 1650 servirá apenas para demonstrar a benevolência do deputado Ortiz, que já deixou claro: é um grande admirador de Roberto Marinho.


Conteúdo Relacionado