Política

Governo aceita desculpas e Rohter pode ficar no Brasil

15/05/2004 00:00

São Paulo - “O caso está encerrado”. As palavras são do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) sobre a polêmica que envolveu o jornalista norte-americano Larry Rohter, do New York Times, nessa semana. Rohter teve seu visto cancelado após publicação de matéria que afirma que o presidente Luís Inácio Lula da Silva teria problemas com álcool.

Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (14), o ministro da Justiça explicou que no meio da tarde advogados do jornalista lhe apresentaram um pedido de reconsideração do cancelamento do seu visto temporário. Na petição, a defesa do jornalista alega que ele não teve a intenção de ofender o presidente e “reafirma seu grande afeto pelo Brasil e seu profundo respeito às instituições democráticas brasileiras”. Apesar de não haver nenhum pedido expresso de desculpas a afirmação é considerada como uma retratação.

De acordo com seu próprio relato, Thomaz Bastos contatou o presidente e disse que a retratação era juridicamente consistente e recomendou que o caso fosse encerrado. “E o presidente, em uma demonstração de generosidade – que é uma tradição republicana dos presidentes brasileiros – concordou”. Ele lembrou que Juscelino Kubistchek, quando presidente, foi duramente ofendido durante seu governo e mesmo assim anistiou os agressores.

Questionado sobre a sua posição em relação ao episódio, o ministro, depois de frisar que não está inteiramente a par do caso, disse que o presidente escolheu dentre várias opções possíveis uma medida dura, mas, “não mais dura do que o artigo do jornalista (se é que se pode chamar de artigo aquele amontoado de má-fé, preconceito e falta de informação)”.

Para o ministro, o episódio não é um retrocesso na História brasileira e sim uma demonstração de força do governo que, em sua opinião, teve capacidade de reagir diante de um fato grave e de recuar no momento adequado.

Thomaz Bastos também foi enfático ao negar os rumores de um possível pedido de demissão por causa desse caso. “Eu não estou, eu sou ministro da Justiça e serei enquanto tiver a confiança do presidente”. “Nós estamos fazendo um trabalho consistente, com começo meio e fim, que visa a reformulação do Poder Judiciário, da segurança pública e do sistema prisional brasileiro. Nem me passou pela cabeça a demissão”, afirmou.

O ministro da Justiça fez questão ainda de afirmar que o presidente Lula tem grande apreço pela liberdade de imprensa e sabe que esse é um dos mais altos valores da hierarquia constitucional. Até a próxima segunda-feira (17), novo despacho do ministro deve revogar o anterior e revigorar o visto de Larry Rohter, autorizando sua permanência no Brasil.




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