Política

Lula é mais popular que FHC no 1º ano, mesmo com economia pior

18/12/2003 00:00

São Paulo – Ninguém precisa ser Duda Mendonça para saber que Luiz Inácio Lula da Silva se transformou em um fenômeno de popularidade. Mas como explicar o fato de o presidente conseguir ser mais popular do que seu próprio governo?
Segundo sondagem nacional do Ibope e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada na última quarta-feira (17), o governo é considerado ótimo/bom por 41% da população. Esse índice caiu 10 pontos percentuais desde março. Nesse mesmo período, o nível de ruim/péssimo subiu de 7% para 14%, e o de regular, de 36% para 43%.
Já a avaliação do presidente permanece em patamares bem mais elevados. Dos 2.000 entrevistados no levantamento entre 4 e 8 de dezembro, 66% aprovam a maneira como o presidente governa o país (25% desaprovam) e 69% confiam nele (26% não confiam). Esses índices vêm caindo ao longo do ano, mas de maneira lenta. Na pesquisa de março, a aprovação era de 75%, e a confiança, de 80%.
Um ano depois de ter assumido o governo, pouca coisa mudou na relação entre Lula e seu público. Apesar de muitos insistirem que a lua-de-mel chegou ao fim, as pesquisas mostram o contrário. Esse casamento vai muito bem, obrigado, apesar do desemprego elevado, da renda em queda e da insegurança pública.
Se as eleições fossem hoje e tivessem os mesmos candidatos, daria Lula novamente. Dos entrevistados, 53% apertariam o número 13 na urna eletrônica. Outros 18% optariam por Serra, 9%, por Antony Garotinho, e 7%, por Ciro Gomes.
É verdade que o índice de votos em Lula caiu em relação à primeira pesquisa do ano, feita em março, quando ele tinha 66% dos votos. Mas nos últimos meses os números se estabilizaram. A preferência pelo petista chegou 58% no levantamento de junho, recuou a 52% na de setembro e voltou a oscilar positivamente nesta última pesquisa de dezembro.
“Esses dados sobre reiteração de voto têm um significado especial, pois indicam a grande confiança que os eleitores mantêm no presidente”, diz Amauri Teixeira, diretor da consultoria MCI, que analisou para a CNI os dados do Ibope.
Segundo o analista, a boa popularidade pode ser explicada pela força de uma imagem construída em cima do combate à fome e à pobreza. O levantamento Ibope/CNI mostra que aumentou o número de pessoas considerando que o governo vem tendo sucesso nessa área: de setembro a dezembro, passou de 44% para 55%. “Houve um forte trabalho de comunicação com o início do programa Fome Zero e é essa referência que as pessoas têm”, explica Teixeira.
Além disso, diz ele, o controle da inflação também é uma informação positiva, em especial num país com histórico de descontrole de preços. Mesmo a avaliação do combate ao desemprego, reprovada por 36% dos entrevistados, e a segurança, por 32%, tiveram pouco efeito negativo na imagem do presidente.
Para o analista Ciro Coutinho, do instituto de pesquisa Cepac, chama atenção o fato de Lula ter hoje uma popularidade melhor que a de Fernando Henrique Cardoso, quando se comparam os primeiros anos de mandato dos dois. Isso, apesar de a situação econômica de 1995 ter sido muito melhor que a de 2003.
Naquele ano, o crescimento econômico do país fechou em 4,2%, e o desemprego, em 13,5% em São Paulo, segundo o Dieese/Seade. Neste ano, esses índices são bem mais negativos e devem ficar em 0,5% (no máximo) e 20,4%, respectivamente. Apesar da situação melhor, FHC tinha 56% de aprovação (Lula tem 66%) e 58% de confiança (69%).
“Há algo mais na imagem de Lula que o preserva dos desgastes do governo”, analisa Coutinho. “Lula é visto como homem simples, do povo, que apesar das dificuldades está fazendo o possível. Isso é fruto de uma política de comunicação bem conduzida.”
Palocci é o mais bem avaliado
Em uma pesquisa ainda inédita, o Cepac pediu a 100 formadores de opinião (43 jornalistas, 31 empresários e 26 acadêmicos, publicitários e políticos), a maioria de São Paulo, para que dessem notas de 0 a 5 a algumas características de Lula, FHC, Aécio Neves (governador de Minas Gerais), Geraldo Alckmin (governador de São Paulo) e Garotinho (secretário de Segurança Pública do Rio).
Lula venceu todos nos quesitos liderança (4,09), proximidade social (4,42) e capacidade de articulação (4,00). FHC ganhou em conhecimento (4,49), experiência (4,13) e equilíbrio (4,21). E Alckmin foi imbatível no quesito confiabilidade (3,74%).
Na avaliação do ministério, também com notas de 0 a 5, Antônio Palocci (3,89), da Fazenda, Roberto Rodrigues (3,50), da Agricultura, Luiz Fernando Furlan (3,39), do Desenvolvimento, e Celso Amorim (3,35), do Exterior, foram os quatro primeiros. Nas três últimas posições ficaram Miguel Rosseto (1,28), do Desenvolvimento Agrário, Jacques Wagner (1,61), do Trabalho, e Humberto Costa (1,66), da Saúde.
Em parte, essas avaliações são compatíveis com a avaliação das políticas do governo. A política econômica foi a mais bem avaliada (3,42), seguida pela política externa (3,31). As mais criticadas foram segurança pública (1,48) e a reforma tributária aprovada na Câmara (1,70).
Quanto perguntados sobre qual nota, de maneira geral, dariam ao governo Lula, a média ficou em 2,66. “É uma avaliação positiva”, diz Coutinho. O fato de muitos jornalistas importantes, cujos nomes estão guardados a sete chaves, terem participado da pesquisa, indica como a mídia pode estar influenciando a opinião dos formadores de opinião. Mas essa conclusão, segundo o analista do Cepac, dependeria de um estudo específico.

Pergunta: "Avalie as seguintes questões atribuindo
uma nota de 0 a 5:"
































Aspecto

Nota Média
Política Econômica do Governo?
3,42
Política Externa do Governo?
3,31
Postura do Presidente Lula no cargo?
2,85
Reforma Previdenciária aprovada na Câmara?
2,83
Comunicação do Governo?
2,65
Programas Sociais do Governo?
1,71
Reforma Tributária aprovada na Câmara?
1,70
Segurança Pública no Governo Lula?
1,48

Pergunta: "Atribua uma nota de 0 a 5 para os ministérios
do governo Lula:"


















































Ministro
Nota Média
Fazenda
Antonio Palocci

3,89
Agricultura, Pecuária e do Abastecimento
Roberto Rodrigues

3,50
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
Luiz Fernando Furlan

3,39
Relações Exteriores
Celso Amorim

3,35
Casa Civil
José Dirceu

3,17
Minas e Energia
Dilma Vana Rousseff

2,63
Justiça
Márcio Thomaz Bastos

2,62
Cultura
Gilberto Gil Moreira

2,48
Comunicação
Luis Gushiken

2,47
Previdência Social
Ricardo Berzoini

2,34
Educação
Cristovam Buarque

2,11
Saúde
Humberto Costa

1,66
Trabalho e Emprego
Jaques Wagner

1,61
Desenvolvimento Agrário
Miguel Rosseto

1,28

Fonte: Cepac


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