Política

Marta mostra seu ‘book político‘ antes da convenção partidária

25/06/2004 00:00

São Paulo - Dois dias antes da convenção do PT paulistano, que oficializará neste sábado (26) a candidatura à reeleição de Marta Suplicy, a prefeita convocou a imprensa para apresentar dados e números de sua gestão. A iniciativa simbolizou, por assim dizer, a primeira pisada no acelerador petista para esquentar os motores da corrida eleitoral.

O “book político” apresentado por Marta à imprensa nesta quinta-feira (24) foi estruturado sobre dois pilares: uma avaliação dos resultados comparados aos compromissos assumidos pela prefeita no discurso de posse, em 1º de janeiro de 2001, e a apresentação de gráficos comparativos das ações desta última gestão petista com seus antecessores Luiza Erundina, Paulo Maluf e Celso Pitta.

Começando pela histórica menina dos olhos do PT, os programas sociais implementados pela prefeitura nos últimos anos (renda mínima, bolsa trabalho, começar de novo, oportunidade solidária etc.) beneficiaram, segundo Marta, cerca de 1,4 milhão de pessoas e, como efeito colateral, diminuíram sensivelmente violência (22%) e evasão escolar (57,9%) nos bairros pobres beneficiados. “Considero isso um grande avanço, coerente com o que tínhamos nos proposto ao tomarmos posse”, afirmou.

A prefeita também apresentou como trunfos sociais inovações como o projeto Oficina Boracéia (complexo de atendimento a catadores de rua que conta com cinema, telecentro, leitos, refeições, estacionamento para carrinhos e canil e veterinário para os amigos caninos dos moradores de rua), os 21 Centro de Ensino Unificado (CEUs) construídos até o momento, a quase duplicação do número de albergues na cidade e a criação do bilhete único, na área dos transportes. E não perdeu a oportunidade para contar vantagem sobre seus antecessores.

No quesito abertura de novas vagas no sistema de ensino, o gráfico da prefeita mostra uma grande coluna vermelha marcando 194.431 vagas em sua gestão, contra raquíticas 17.390 de Pitta, míseras 1.229 de Maluf e razoáveis 118.702 de Erundina. Comparativamente, também bate todos os recordes em investimentos na segurança urbana, na renovação da frota do transporte público, na criação de parques e espaços de cultura e lazer.

Dos problemas, como as “escolas de latinha”, construídas em contêineres - e que a prefeita havia prometido substituir – não se falou. Também não se tocou na persistência do problema das enchentes (apesar da ampliação do número e do tamanho de piscinões), do abandono das periferias, dos gastos generosos com propaganda.

Para o ex-deputado e petista histórico Plínio de Arruda Sampaio, pai do economista Plínio de Arruda Sampaio Filho, que havia tentado apresentar uma candidatura de oposição à Marta no início do ano, é inegável que a prefeita fez a lição de casa. “Certamente ela fez uma gestão muito melhor do que Maluf e Pitta, foi honesta e competente. Mas infelizmente não alterou minimamente a lógica capitalista da cidade, não teve nem sombra do espírito transformador que marcou as gestões petistas no Grande ABC nas décadas de 80 e 90. Quer dizer, se submeteu à lógica dos grandes interesses imobiliários, e a tão necessária reforma urbana não saiu”.

Onde balança o balanço
O grande Calcanhar de Aquiles da prefeitura paulista sempre foi e continua sendo a dívida pública, que hoje é de R$ 26,1 bilhões. Assim sendo, segundo Marta, para cumprir o pressuposto da Lei de Responsabilidade Fiscal, que define que a dívida dos municípios pode ser até 1,2 da receita, São Paulo teria que repassar ao governo federal cerca de 5,8 bilhões ao ano, mais do que 50% de sua receita. “Não temos como pagar”, afirmou ela, que disse estar repassando à União cerca de R$ 3 bilhões anuais em pagamento de juros e amortização da dívida.

A responsabilidade pelo caroço no angu da dívida, no entanto, foi delegada pela prefeita às negociações entre Fernando Henrique Cardoso e Celso Pitta no último ano de seu mandato do ex-prefeito. “Fomos atropelados por esse acordo que o PSDB e Pitta negociaram. Vamos ter que encontrar uma outra solução”, afirmou a Marta, que desafiou seus concorrentes a apresentar propostas viáveis nos debates que se seguirão no segundo semestre.


Conteúdo Relacionado