Política

Não se deve arrastar as forças armadas para o jogo político

 

19/09/2021 12:42

(Reprodução/Youtube)

Créditos da foto: (Reprodução/Youtube)

 

A Live Democracia e República depois da Guerra Fria promovida pelo INP, Instituto Amsur, Declatra e DDF, nesta sexta-feira (17/09) que reuniu o General Santos Cruz e os ex-ministros Celso Amorim, Nélson Jobim, Raul Jungmann e Tarso Genro, abordou entre os temas debatidos, a partir da interação com a audiência, o papel das Forças Armadas no Brasil. Para o General Santos Cruz, "não se deve arrastar as forças armadas para o jogo político". De acordo com o general, não adianta ficar falando em democracia , deve-se traduzir a democracia em ações. Santos Cruz alertou para o risco do fanatismo político: "eu passei anos em zonas de conflito. A responsabilização política depois é fraca (...) Eu vi muita violência como resultado de fanatismo político. Não tem saída, o fanatismo sempre resulta em violência. O caminho é o aperfeiçoamento das instituições". De acordo com Santos Cruz as FFAA são instituições que ao longo da história tiveram protagonismo político, mas que conforme o país foi evoluindo e com a sua profissionalização, passam a ser um elemento de extrema importância no desenvolvimento de políticas públicas e na representação mundial. “O Brasil já cruzou essa linha, tem gente querendo reviver, voltar 50-60 anos. Em um extremo e no outro existem pessoas que ainda estão com a cabeça nos anos 50, tem gente que ainda está naquela época”, alerta. O General acredita essa posição se deve a uma interpretação errônea, “completamente equivocada”, através de um jurista famoso, do papel das FFAA como poder moderador. “Nós estamos vivendo uma conjuntura disfuncional, infelizmente, com desrespeito instituído, que se amplia nos fenômenos das redes sociais. Nós precisamos voltar a ter respeito pelas pessoas, pelos opositores, pelas instituições. Goste ou não goste de uma autoridade, não se pode utilizar o palavreado que estamos usando. Descemos ao nível mais baixo de comportamento achando que isso é liberdade. Então tem que restaurar esse respeito aos mecanismos constitucionais. Essa interpretação de poder moderador não tem o mínimo amparo constitucional e nem histórico. Não adianta procurar, fazer uma análise histórica e achar um fundamento moral para essa interferência. Não tem. Não tem nenhuma pista, nenhum indicativo de que as forças armadas devam interferir no funcionamento dos poderes”, enfatiza. O general destaca que o jogo da democracia é o dinamismo de forças que permite permanecer em equilíbrio.

“Sacralidade na ação”

Na mesma linha, o ex-Ministro Celso Amorim defende que as FFAA têm que ter uma certa sacralidade na sua ação, em favor dos interesses do Estado. “Isso tem a ver com Democracia e República, mas com a República, especialmente é agravada quando temos um presidente que se refere ao meu Exército. O Exército não é dele, é do povo brasileiro, é do Estado”. No entendimento de Celso Amorim, na política, as Forças Armadas por definição devem ficar de fora porque são instrumentos de Estado. A elas cabe a capacidade de defender o país e a atuação em situações internacionais porque emprestam prestígio ao Brasil. Amorim destaca, no entanto, que foram as elites que chamaram as FFAA para o jogo político. “Não quero isentar as FFAA, há comportamentos que eu critico, mas critico fundamentalmente o comportamento das elites que chamaram e de certa forma convocaram as Forças Armadas a darem opinião. Essa permeabilização do aparato em todas as funções não é boa para o Estado. Isso retira das FFAA aquela autoridade que eu vejo em outros países, como via nos EUA, na tentativa de invasão do Capitólio”.

Para Celso Amorim é necessário recuperar o conceito de República nesse sentido mais amplo e recuperar o conceito de Democracia, que só se recupera através do debate racional. “É claro que não é só no debate, concordo com o general que é preciso aplicar a lei, mas as vezes até a forma de aplicar a lei implica um debate, por várias razões diferentes”.

Assista na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=DQXk5_U2vSM

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