Política

Novamente o golpe

É claramente Golpe o que estão querendo dar, para revolta daqueles que, como eu, lutaram durante vinte anos pelo restabelecimento da democracia no Brasil

01/04/2016 00:00

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Créditos da foto: Reprodução

O Brasil, por duas vezes, recentemente, manifestou sua clara preferência pelo regime presidencialista, que é da tradição americana. E neste regime, não há hipótese constitucional para o Congresso depor um presidente porque em sua maioria não gosta dele ou acha que ele está governando mal. Isto é típico do parlamentarismo, que é um governo do Congresso, nomeado e demitido pelo Congresso, não escolhido pelo voto direto do povo.
 
No presidencialismo pode, sim, haver um impeachment do Presidente decretado pelo Congresso. Mas é preciso que fique bem demonstrado que o Presidente cometeu um grave crime de responsabilidade. E este caso não se aplica, absolutamente, à Presidenta Dilma Rousseff, que não cometeu nenhum crime, e que é reconhecida como pessoa de honestidade comprovada em toda a sua vida. Querer classificar como crime grave a chamada pedalada fiscal, que é mero artifício de contabilidade, cometido por muitos e muitos presidentes, governadores e prefeitos, é um evidente forjamento que, este sim, chega a ser criminoso, de tão absurdo, maldoso e até desavergonhado.
 
Então é claramente Golpe o que estão querendo dar. Para indignada revolta daqueles que, como eu, lutaram durante vinte anos pelo restabelecimento da democracia no Brasil; da democracia limpa, sem forjamentos jurídicos e políticos de golpes.
 
E, mais, no presidencialismo a oposição pode discordar de políticas e medidas praticadas pelo governo, pode votar contra elas mas não pode provocar a paralisia do Executivo através de uma duradoura crise de ingovernabilidade. O Congresso é um dos poderes da República, tão responsável pelo bem público quanto o Executivo e o Judiciário. Não pode forjar crises permanentes com o propósito de denunciar o Executivo como incompetente, sem capacidade governamental, e assim justificar um impeachment perante a nação.
 
Há 52 anos, precisamente neste dia 31 de março, desencadeava-se o golpe militar, que implantou uma ditadura de 20 anos, contra a qual muitos dedicaram suas vidas. Neste longo período, a política foi posta de lado e desvalorizada, desinteressando a juventude e causando, por isso mesmo, um vácuo na formação de novas lideranças, que tão gravemente repercute hoje.
 
Sem líderes políticos, sem participação da juventude, o poder econômico tomou conta das campanhas eleitorais e de toda a vida política através da corrupção. O golpe obviamente não vai corrigir isso mas com certeza agravar o quadro de desmoralização dos políticos.
 
É 31 de março de 2016, dia de denunciar e reverter o golpe; que é contra a Nação Brasileira, é desastroso para a Nação Brasileira, e tem de ser fortemente repudiado por todos os brasileiros!
 
Registro, com orgulho e satisfação, a posição assumida pelo meu Clube de Engenharia que, ao contrário da OAB, não adere ao golpe mas o repudia.



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