Política

Pandora Papers expõem 35 líderes mundiais, centenas de figuras públicas

 

04/10/2021 16:24

(Ian Waldie/Getty Images)

Créditos da foto: (Ian Waldie/Getty Images)

 
Os Panama Papers eram minúsculos comparados a este enorme vazamento. São quase 12 milhões de arquivos de 14 empresas ao redor do mundo que expõem como 35 líderes mundiais e centenas de políticos, bilionários e celebridades, entre outros, usam o sistema offshore [paraísos fiscais] para esconder dinheiro. Os arquivos, apelidados de Pandora Papers, foram obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que trabalhou com 600 jornalistas de 150 veículos de comunicação em 117 países para vasculhar os documentos e encontrar as histórias.

A maior bomba dos arquivos – que incluem 6,4 milhões de documentos, quase 3 milhões de imagens, mais de um milhão de e-mails e quase 500.000 planilhas - é como eles revelam as transações financeiras de 35 atuais e ex-líderes mundiais.

O rei Abdullah II da Jordânia, por exemplo, gastou mais de US$ 106 milhões em casas de luxo. Outras figuras destacadas nos arquivos incluem o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, o primeiro-ministro da República Tcheca. Andrej Babis, o presidente queniano. Uhuru Kenyatta, o presidente do Equador, Guillermo Lasso, e pessoas próximas ao primeiro-ministro do Paquistão Imran Khan, bem como o presidente russo Vladimir Putin. Uma mulher russa que supostamente teve um filho com Putin, por exemplo, comprou um apartamento de luxo em Mônaco. Um amigo de infância de Putin também aparece nos documentos.

Outra grande revelação do vazamento não diz respeito, realmente, aos nomes, mas sim como ele mostra como os Estados Unidos se tornaram um importante destino offshore para os ricos e poderosos esconderem seus ativos. Os Estados Unidos são um destino tão atraente para o dinheiro que muitos transferiram seu dinheiro de outros paraísos fiscais mais conhecidos para os Estados Unidos.

Dakota do Sul, em particular, emergiu como um dos principais destinos de ativos estrangeiros. “Na última década, Dakota do Sul, Nevada e mais de uma dúzia de outros estados dos EUA se transformaram em líderes no negócio de venda de sigilo financeiro”, escreve o ICIJ. E os reguladores e as forças de segurança não conseguiram entender, pois continuam a concentrar seus esforços nos paraísos fiscais mais conhecidos, como as Bahamas e as Ilhas Cayman. A revelação "provavelmente ... será embaraçosa para o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que se comprometeu a liderar esforços internacionais para trazer transparência ao sistema financeiro global", observa o Guardian.

O grupo de combate à pobreza Oxfam elogiou a investigação no domingo, chamando-a de "outra exposição chocante dos oceanos de dinheiro que se espalham pela escuridão dos paraísos fiscais do mundo". E esse dinheiro escondido tem consequências muito reais. “É aqui que estão nossos hospitais desaparecidos”, disse a Oxfam em um comunicado. “É aqui que estão os pacotes de pagamento de todos os professores, bombeiros e servidores públicos extras de que precisamos. Sempre que um político ou líder empresarial afirma que 'não há dinheiro' para pagar pelos danos climáticos e inovação, para criar mais e melhores empregos, para garantir uma recuperação pós-COVID justa, para mais ajuda externa, eles sabem onde procurar. ”

As revelações repercutiram rapidamente em todo o mundo e podem ter consequências reais para os líderes mundiais. No Paquistão, o líder de um partido político pediu a renúncia do primeiro-ministro Imran Khan após a revelação de que membros de seu governo mantinham muito dinheiro no exterior. Khan disse que saúda à investigação e prometeu investigar todos os cidadãos do país que aparecem nos documentos.

*Publicado originalmente em Slate | Traduzido por César Locatelli



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