Política

Repúdio ao golpe de estado parlamentar brasileiro

Reafirmamos nossa confiança nos movimentos sociais e nos meios de comunicação alternativos, que não permitirão o fim da democracia no Brasil.

13/04/2016 00:00

Fernando Frazão / Agência Brasil

Créditos da foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

A Comissão Especial Legislativa do Congresso da República Federativa do Brasil aprovou, na última segunda-feira (11/4), a proposta de enviar o plenário da Câmara dos Deputados o processo de juízo político contra a presidenta Dilma Rousseff, sob a acusação central de que a mandatária brasileira violou normas fiscais, maquiando o deficit orçamentário.
 
Consideramos que o denominado “juízo político” é parte de um plano que envolve o Congresso brasileiro e setores da direita – incluindo os meios de comunicação a serviço desses grupos – para difamar e até mesmo derrubar o governo da presidenta Dilma Rousseff, e desprestigiar as conquistas alcançados em benefício do povo, usando as acusações mencionadas de forma tergiversada.
 
Essa manobra política tem sido percebida pelo povo brasileiro como uma clara tentativa de desestabilizar a ordem democrática, um movimento similar ao ocorrido no Paraguai em 2012, quando se destituiu o presidente Fernando Lugo, eleito democraticamente. Tal manobra despertou diversas mobilizações em defesa da democracia, não somente em apoio à atual mandatária, mas também ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também enfrenta a possibilidade de ter que enfrentar um juízo político, por supostos casos de corrupção.
 
Declaramos nossa solidariedade e respaldo ao povo brasileiro, que foi às ruas para manifestar, em reiteradas ocasiões, sua desconformidade com essa tentativa de derrubar a presidenta Dilma Rousseff, ação que também vem sendo questionada por várias nações do mundo e organismos internacionais, como o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União de Nações Sul-americanas (Unasul). Condenamos esse golpe parlamentário e a tentativa de desestabilizar o Brasil que coloca em risco o protagonismo que o povo brasileiro vem obtendo no conjunto das políticas públicas nos últimos anos.
 
Nesta hora difícil para o nosso continente, somos partidários de aprofundar a integração, a união, o diálogo social e a solidariedade dos povos, para assegurar que nossa região seja um território de paz, de convivência política e de justiça social, com plena vigência da institucionalidade democrática e do respeito aos direitos humanos.
 
Finalmente, reafirmamos nossa confiança no povo, em seus movimentos sociais e políticos, nos meios de comunicação alternativos, que não permitirão um retrocesso e o fim do protagonismo da democracia no Brasil.
 
Quito, 13 de abril de 2016.
 
Assinam:
Associação Latino-americana de Educação Radiofônica – ALER,
Agência Latino-americana de Informação – ALAI
 
Tradução: Victor Farinelli



Conteúdo Relacionado