Política

Trava na economia faz cair aprovação do governo Lula

26/03/2004 00:00

Brasília – A confiança no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está sendo corroída por causa do rumo da economia e não da política. É o que mostra a pesquisa trimestral realizada pelo Ibope a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira (26). Nos últimos três meses, a aprovação do governo caiu de 66% para 54%, a desaprovação subiu de 25% para 39% e a confiança no presidente escorregou de 69% para 60%.


Ainda são índices de aprovação elevados, conforme observação da MCI – Marketing, Estratégia e Comunicação Institucional, empresa de consultoria do sociólogo pernambucano Antonio Lavareda, contratada pela CNI para avaliar os números. Mas a maioria da população já considera que o Brasil está no caminho errado (46% contra 40% de certo) ao contrário do que supunha até dezembro (48% contra 36%).


Ao longo dos últimos 12 meses, o gráfico dos índices de aprovação e confiança forma o movimento de uma pinça se fechando. Em março de 2003, o governo tinha 75% de aprovação e 13% de desaprovação. De lá para cá, o índice dos que aprovam o governo foi reduzido em quase um terço e o dos que desaprovam triplicou. A confiança no presidente Lula caiu de 80% para 60%, no mesmo período, enquanto o grupo dos que não confiam foi de 16% a 36%. A frustração maior está ocorrendo nas famílias que ganham mais de 10 salários mínimos, com nível médio de instrução, nas grandes cidades e periferias, especialmente da Região Sudeste.


Embora a crise provocada pelas denúncias envolvendo o ex-subchefe da Casa Civil Waldomiro Diniz não deva ser menosprezada (as notícias envolvendo o governo que foram mais lembradas pelos entrevistados, especialmente os de nível universitário, se referem a esse assunto), o aumento da preocupação com desemprego, inflação e renda indica que o fator preponderante da perda de prestígio do governo perante a população é a estagnação econômica. “As pessoas vivem, no dia a dia, a realidade econômica. Os fenômenos da economia são percebidos independentemente do noticiário”, explica Marco Antonio Guarita, diretor de Desenvolvimento da CNI.


Aumento do pessimismo

Essa percepção, reforçada pelos indicadores negativos de crescimento do país, aumento do desemprego e redução da renda do trabalhador, fez com que o cenário de pessimismo moderado verificado em dezembro evoluísse para de pessimismo forte na pesquisa com 2 mil pessoas acima de 16 anos, realizada entre sábado e quinta-feira desta semana em 151 municípios do país. A previsão de que a inflação irá aumentar cresceu de 40% (em dezembro) para 48%. A de que haverá mais desemprego nos próximos seis meses subiu de 47% para 54%. O governo só consegue manter melhores índices de aprovação na política de combate à fome e nos programas sociais. Mesmo assim, as quedas são acentuadas. Em dezembro, 73% aprovavam a política de combate à fome e 22% reprovavam. Os índices passaram para 59% e 35% na última pesquisa.

A avaliação da política de combate à inflação teve uma inversão absoluta. No levantamento anterior, 53% aprovavam e 38% desaprovavam. Hoje, a desaprovação é que está com 53% e a aprovação com 38%. O aumento da desaprovação também foi significativo em relação às políticas de juros (de 43% para 50%) e de combate ao desemprego (54% para 63%). A conseqüência dessa percepção é que continua forte a sensação da população de que a principal tarefa do governo Lula é promover o crescimento e o emprego (58% comparado a 55%, em dezembro, e 43%, em março de 2003).



Conteúdo Relacionado