Política

Uruguaios se manifestam a favor de Lula e contra os ataques à Síria

O evento foi um dos principais atos da Jornada Continental em Defesa da Democracia e Contra o Neoliberalismo e contou com a participação de mais de duas mil pessoas

14/04/2018 11:22

 

 
Do La Diaria, do Uruguai
 
O evento aconteceu na noite de quarta-feira (11/4), em frente à Embaixada do Brasil em Montevidéu, e foi um dos principais atos da Jornada Continental em Defesa da Democracia e Contra o Neoliberalismo, que contou com a adesão dos principais sindicatos e centrais sindicais, da Federação de Estudantes Universitários do Uruguai e de líderes da Frente Ampla, entre outras organizações. Participaram da manifestação pouco mais de duas mil pessoas.

Entre os oradores do evento estavam a ambientalista Karin Nansen, Juan Raúl Ferreira (ex-diretor do Instituto Nacional de Direitos Humanos), Sandra Lazo (vice-presidenta da Frente Ampla), Marcelo Abdala (secretário-geral da central sindical PIT-CNT, a maior do país), e Rubens Diniz, (secretário de Relações internacionais do Partido Comunista do Brasil, PCdoB).

A destituição da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, e a recente prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após decreto da Justiça brasileira na semana passada, foram os dois principais temas dos discursos.

Karin Nansen afirmou que “o atentado contra a democracia no Brasil afeta a todos” e que “é uma ofensiva contra os povos do continente”. A ambientalista disse que a destituição de Rousseff e a prisão de Lula formam parte de um “golpe de Estado dado pelo Poder Legislativo, com o apoio do Poder Judiciário, dos meios de comunicação e das castas dominantes” do país.

O governo de Michel Temer “atenta contra os direitos adquiridos pelas classes populares, é um golpe oligárquico, patriarcal, misógino, racista, que impulsa uma cruzada contra as mulheres e os seus direitos, e que já chegou a extremos como o que vimos com o assassinato de Marielle Franco”, acrescentou.
Por sua parte, Sandra Lazo lembrou que a Frente Ampla “não podia deixar de estar” no ato, porque “defender a liberdade de Lula é assumir a defesa da democracia e da liberdade de um trabalhador, Lula é um preso político, está sofrendo uma prisão injusta, por ter sido o presidente mais popular do Brasil”. Ela também questionou o processo judicial que determinou a prisão do ex-presidente brasileiro, apontando a falta provas para justificar a sentença. “Foi uma operação política para impedir sua candidatura presidencial. A Frente Ampla tem a responsabilidade histórica de denunciar o que acontece no Brasil, e não es momento de apatia nem de dúvidas sobre em que lugar devemos nos colocar, como integrantes de uma força de esquerda”.

Juan Raúl Ferreira recordou os “atos de solidariedade” realizados no exterior para condenar a última ditadura militar do Uruguai (1973-1985). Lula “foi o melhor presidente que o Brasil teve, e foi o primeiro dirigente sindical do mundo que organizou um ato de massas contra a ditadura uruguaia. Estamos aqui porque é mentira que Lula foi castigado pela Justiça, ele é vítima da judicialização da política, a nova moda de desestabilizar as democracias da nossa região”.

Os organizadores deste ato tinham reservado, como participação surpresa, a presença da candidata presidencial brasileira Manuela D’Ávila (PCdoB), que finalmente não pode estar presente, por razões familiares. Seu lugar foi ocupado por Rubens Diniz, que em seu discurso, disse que “Lula é uma ideia com a qual os povos podem vencer e lutar pela democracia e pela soberania. Ele é um prisioneiro político, sua detenção visa esvaziar o poder do voto popular, e contra isso nós vamos nos mobilizar”.

Finalmente, Marcelo Abdala questionou o rol dos Estados Unidos, “a principal potência hegemônica do mundo, que está atravessando enormes dificuldades, porque não está mais sozinha no topo, agora é desafiada pela China, pela Rússia, pela Índia. Eles querem avançar sobre os países com petróleo, agora querem atacar novamente a Síria, em uma ação que devemos repudiar com todas as forças. E querem controlar a América Latina a qualquer preço, fazer de nós, novamente, o seu quintal, porque sabe da nossa importância, como principal fonte de recursos naturais do planeta”. Abdala se voltou para a sede diplomática, que estava fortemente protegida pelas forças policiais, e gritou: “escute bem, senhor embaixador, representante de um governo golpista, corrupto, o povo uruguaio encontrará todas as formas para clamar pela democracia no Brasil, e pela imediata liberação de Lula”.

Em seguida, os milhares de presentes passaram a gritar em coro: “Lula livre, Lula livre, Lula livre”...





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